Superar a constituição da velha república oligárquica, datada de 1891, tornou-se prioritário para o novo regime. Eleições ganharam novas regras e o congresso promulgou a nova carta em 1934. Contudo, o cenário nacional continuava conturbado, sem dar sinais de alcançar estabilidade, ao contrário, consoante com o processo de radicalização política que se espalhava por quase todo o planeta - agitações sociais, greves, movimento sindical, uma explosão de demandas, nascentes ou represadas -, forneceu ao governo a justificativa para uma atuação mais autoritária.
Duas organizações políticas despontam neste cenário de extremismos: a Ação Integralista Brasileira (AIB) - uma organização inspirada no fascismo - e a Aliança Nacional Libertadora (ANL). Esta última, uma coalizão de forças que buscava resistir às tendências autoritárias de Vargas, contava com a participação do Partido Comunista e concedeu a Luis Carlos Prestes, recém-retornado da Rússia, a presidência da agremiação. Fundada em inícios de 1935, a ANL passou apenas quatro meses na legalidade. A nova Lei de Segurança Nacional, emitida em julho de 1935, foi utilizada para proscrever a organização.
Em novembro do mesmo ano uma revolta foi deflagrada em Natal, Recife e Rio de Janeiro. Embora a ANL tenha sido anunciada e acusada como promotora do levante, ele ocorreu de fato sob a liderança do Partido Comunista. Apesar de no Recife e no Rio o levante ter se limitado a uma "quartelada", rapidamente reprimida, em Natal instaurou-se um governo provisório que funcionaria por quatro dias, antes da sua derrubada e consequente prisão das lideranças.
A tentativa de golpe foi mais um evento a ser utilizado por Vargas para o processo de limitação das liberdades civis e políticas que há tempos fazia parte do projeto de governo. A repressão que se seguiu ao levante comunista foi intensa e severa, facilitada pela decretação do estado de guerra em março de 1936, estado este que suprimia as garantias de todos e quaisquer cidadãos.A ameaça comunista continuou a ser utilizada para a intensificação do autoritarismo, que culminaria no golpe do Estado Novo, anunciado por Vargas em 10 de novembro de 1937. A divulgação de um suposto plano de derrubada do governo, arquitetado pelos comunistas, o Plano Cohen, deu ao projeto golpista em andamento há anos a sua chave de ouro: após o retorno ao estado de guerra (então suspenso), o presidente fecha o congresso e anuncia o começo de uma nova era, guiada por uma constituição elaborada no gabinete de Francisco Campos e que viria a ser conhecida, pela origem inspiradora, como a "polaca".